segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A MULHER E A SAÚDE BUCAL

Uma perfeita saúde bucal dos membros da família, depende grandemente da atuação da mulherDa menstruação à menopausa, passando pela gestação e a amamentação, a saúde bucal das mulheres passa por diferentes ciclos e exige cuidados diversos.Mesmo com os movimentos de emancipação feminina, iniciados após a segunda guerra mundial e acelerados após a introdução da pílula anticoncepcional nos anos sessenta, a mulher brasileira ainda responde por quase todo o trabalho doméstico, pois estudo recente do IBGE indica que pouco mais de 50% dos homens declararam cuidar ou ajudar nos afazeres domésticos contra um índice de 90% das mulheres.A mulher, além de atuar na manutenção da casa, é igualmente responsável pela escolha e preparação dos alimentos que são consumidos pela família, sendo uma autêntica provedora da saúde bucal do seu núcleo familiar.Já que a principal função dos dentes é a mastigação, os cuidados com a saúde bucal são de grande importância para uma correta alimentação dos membros da família. O consumo de açúcar, por exemplo, contribui para o aparecimento de cáries e este alerta vale também para alimentos de baixo valor nutricional ricos em açúcares escondidos, como salgadinhos, ketchup, refrigerantes e sucos de frutas industrializados e frequentemente consumidos pelas crianças.A saúde bucal começa na barriguinha da futura mamãeDurante o período de gravidez, a mulher tem importante papel na formação do bebê, já que a partir do quarto mês de gestação, por exemplo, começam a se formar as papilas gustativas da criança. Assim, a alimentação da mãe durante esse período exercerá grande influência na preferência do filho por determinados tipos de alimento e, por isso, a gestante deve evitar o consumo de doces, o que também evitará o surgimento de cáries em si própria, estimulando-se por outro lado o consumo de frutas, verduras e legumes.Ocupada em cuidar da saúde da família, muitas vezes sendo a responsável pela ida dos filhos e do próprio marido às consultas médicas e odontológicas, a mulher acaba com frequência descuidando de sua própria saúde, deixando de levar em conta que ela tem necessidades diferenciadas durante as várias fases da vida, seja pelas mudanças hormonais que ocorrem na puberdade seguidas pela menarca ou primeira menstruação e, mais tarde, pela gravidez e a menopausa, sendo indicado o uso de fio dental diariamente para evitar a gengivite.Estudo realizado pela Academia Americana de Periodontia relaciona também outras especificidades da saúde bucal feminina durante a vida da mulher. Por exemplo: antes da menstruação, é comum a gengiva inchar e sangrar e algumas mulheres têm também aftas ou inflamações da mucosa bucalA inflamação da gengiva é também um dos efeitos colaterais mais comuns dos contraceptivos orais. Na menopausa, além de gengivite, acontecem ainda alterações do paladar e secura bucal, havendo habitualmente relação entre a osteoporose e a perda óssea nos maxilares, o que conduz à perda de dentes devido à diminuição da densidade dos ossos onde eles estão inseridos.Como se vê, além das consultas semestrais ao dentista para acompanhamento do quadro clínico, uma perfeita saúde bucal dos membros da família, no quadro ainda patriarcal da sociedade brasileira, depende grandemente da atuação da mulher, esta figura abnegada que cumpre quase sempre uma dupla ou tripla jornada de trabalho, no lar e fora dele.(*) Cícero Lascala é mestre e doutor em Diagnóstico Bucal pela USP - Universidade de São Paulo e especialista em periodontia, ortodontia e ortopedia facial - E-mail: celascala@ajato.com.br
IOGURTE NATURAL COMBATE MAU HÁLITO

PORTAL DENTAL PRESS
Iogurtes sem açúcar podem ajudar a acabar com o mau hálito, cáries e problemas na gengiva, conforme um estudo que cientistas japoneses apresentaram num encontro da Associação Internacional para Pesquisa Dental.De acordo com a pesquisa, tomar iogurte reduz os níveis de gás sulfídrico, uma das principais causas do mau hálito, em 80% dos voluntários.A redução do mau hálito seria causada por bactérias ativas no iogurte, especificamente Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermiphilus.Os 24 voluntários que participaram do estudo receberam instruções rigorosas sobre higiene oral, dieta e ingestão de remédios.Dentistas recomendam escovar os dentes 2 vezes por dia e usar fio dental.BactériasEles passaram duas semanas evitando iogurtes e comidas semelhantes, como queijo.Os pesquisadores, então, retiraram saliva e amostras das línguas dos voluntários para medir os níveis de bactérias e componentes que causam odor, incluindo o gás sulfídrico.Depois, os voluntários tomaram 90 gramas de iogurte por dia durante seis semanas e tiveram mais amostras recolhidas pelos pesquisadores. Eles descobriram que os níveis de gás sulfídrico tinham diminuído em 80% dos participantes. Os níveis de placa e de gengivite também ficaram significativamente mais baixos."O consumo freqüente de comidas com altos níveis de açúcar é a principal causa de cáries, que podem causar muita dor e desconforto", disse Nigel Carter, presidente da Fundação Britânica de Saúde Dental. Embora essa pesquisa ainda esteja nos estágios iniciais, não há dúvidas de que iogurtes sem açúcar são uma alternativa muito mais saudável a chocolates e doces. Nós encorajamos as pessoas a incorporá-los a suas dietas", afirmou.Uma em cada quatro pessoas sofre de mau hálito regularmente, e 19 em cada 20 são afetadas por doenças da gengiva em algum momento de suas vidas.Carter enfatizou, porém, que a melhor maneira de combater o mau hálito é adotar uma rotina de cuidados com a saúde oral. Isso significa escovar os dentes duas vezes por dia com cremes dentais que contenham flúor, usar fio dental e visitar o dentista regularmente.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ATÉ QUE PONTO OS REFRIGERANTES INFLUENCIAM NA SAÚDE BUCAL?

DENTISTRY
Especialista afirma que o acidulante presente nos refrigerantes é o responsável pela erosão dental, já a alta quantidade de açúcar pode ser a causa potencial de cáries dentáriasGrande parte das crianças e adolescentes adora refrigerantes. Até mesmo os adultos gostam de ter a bebida como acompanhamento das refeições ou para se refrescarem. Mas até que ponto os componentes do refrigerante podem influenciar na saúde bucal?Esta é uma questão que tem gerado dúvidas e incertezas para muitos. "Dependendo da freqüência de seu consumo, o refrigerante pode gerar perdas, às vezes, irreversíveis nos tecidos que compõe o dente", explica Dra. Vivian Farfel (CRO-SP 59.111), especialista em Odontopediatria, Ortodontia e Ortopedia Facial pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP).O refrigerante é composto, geralmente, por cafeína, corantes, conservantes, um acidulante - geralmente representado pelo ácido fosfórico - e grande quantidade de açúcar, ou nas versões diet, light e zero, por adoçantes artificiais. "O acidulante presente nos refrigerantes é o responsável pela erosão dental, já a alta quantidade de açúcar pode ser a causa potencial de cáries dentárias, caso medidas preventivas adequadas não sejam tomadas", alerta Dra. Vivian.Erosão dentalA erosão do esmalte, que é uma forma de desgaste pode ser causada pelos acidulantes presentes em alimentos e bebidas, ou provenientes do estômago. "Para a saúde bucal, essa erosão pode ser tão desastrosa quanto o aparecimento da cárie, porque gera sensibilidade e má aparência", completa Dra. Vivian.Estudos sobre o efeito erosivo do refrigerante têm mostrado que os danos que podem causar aos dentes dependem de algumas circunstâncias como: teor de ácido das bebidas consumidas, freqüência de ingestão, hábitos alimentares, práticas de higiene oral e também quantidade e composição da saliva.Cuidado também com o refrigerante sem açúcarAs bactérias, presentes na boca, quando consomem açúcar, produzem ácidos que, em contato com os dentes, levam a perda de minerais e càries (formação de cavidades no dente). Então, cabe aqui a pergunta: refrigerantes sem açúcar não causam cáries?"Vale lembrar que refrigerantes sem açúcar tendem a ser menos prejudiciais à saúde bucal, porém estes possuem altas concentrações de carboidratos fermentáveis, que também apresentam potencial cariogênico. Alem disto, excesso de ingestão de adoçantes artificiais, não é indicado", esclarece a especialista."O melhor conselho é a redução do consumo geral de refrigerantes, substituindo-os por outras bebidas que contenham menos açúcar e acidulantes, como leite, água e alguns sucos de frutas naturais. Restrinja o consumo de refrigerante somente aos finais de semana e, após consumi-lo, enxágüe a boca com água para neutralizar a ação dos ácidos da bebida. Lembre-se de visitar periodicamente o dentista, que irá identificar a cárie e o processo erosivo no início de sua formação e agir antes que essas doenças se instalem", finaliza Dra. Vivian.Dra. Vivian Farfel (CRO-SP 59.111)Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). Atuação em traumatologia dental infantil junto ao Centro de Pesquisa e Atendimento de Traumatismo em Dentes Decíduos da Disciplina de odontopediatria na USP. É autora de trabalhos científicos publicados em jornais e revistas do segmento, bem como apresentados em congressos nacionais e internacionais.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DIETA ALIMENTAR E SAÚDE BUCAL

GUIA DENTAL
“Você é o que você come”. Esta é afirmação que vem sendo difundida nesta época onde as dietas, que restringem a ingestão de diferentes tipos de alimentos, alteram as refeições. Certamente, uma boa nutrição contribui para uma saúde perfeita e equilibrada – inclusive a dos dentes.“Hoje, a maior parte de informações na área odontológica, aponta para técnicas de clareamento, facetas de porcelana, aparelhos ortodônticos transparentes, e pouco se ouve falar dos alimentos que têm o potencial de destruir tudo o que citamos acima e também os dentes naturais, visto que o ambiente da cavidade oral é contaminado e suscetível a transformações quando na presença de determinados alimentos”, explica Dra. Vivian Farfel (CRO-SP 59.111), especialista em Odontopediatria e em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP).Para esclarecer as principais dúvidas que envolvem a questão da dieta alimentar e a saúde bucal, entrevistamos a Dra. Vivian Farfel. Acompanhe.1- A dieta pode ocasionar mau hálito? Por quê?Sim. De acordo com a Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca, a halitose é um problema que atinge cerca de 30% da população. O mau hálito (halitose) é a liberação de odores desagradáveis provenientes da boca. Embora, não seja uma doença, o mau hálito é a conseqüência de uma alteração em alguma parte do nosso organismo e, portanto, deve ser corretamente diagnosticado e tratado.Há mais de 50 causas possíveis para o mau hálito. Ele pode ser conseqüência de alimentação inadequada e mastigação incorreta, dieta descontrolada, jejum prolongado, má higiene oral e baixo fluxo salivar. Além disso, remédios que induzem à baixa produção de saliva, como antidepressivos, medicamentos contra diabetes, problemas cardíacos e remédios para dormir, são agentes influenciadores. Sessões de radioterapia e quimioterapia, doenças provocadas pela falta de higienização, como gengivite e cárie, e o uso de prótese dental, também podem ser considerados causadores do mau hálito. Outro fator muito comum é a saburra lingual, que é um deposito de bactérias sobre a língua que pode produzir odor ruim.2- Uma restrição alimentar pode afetar a acidez bucal e estimular o aparecimento de caries?Para os dentistas, existem alimentos “adesivos”, “ácidos” e “detergentes”. Esta classificação poderá ajudar na escolha de alimentos para nossa dieta alimentar. Os “alimentos adesivos” tendem a aderir aos dentes e são os responsáveis pela cárie. É um grupo composto por biscoitos, bolachas, doces e balas.Em relação aos alimentos ácidos como abacaxi, laranja, limão, kiwi e cítricos, em geral os sucos, bebidas de frutas e refrigerantes favorecem o que chamamos de erosão ácida, que se manifesta sob a forma de “desgaste” da estrutura do dente, na região do dente próximo à gengiva, mesmo na ausência da doença cárie e em bocas bem higienizadas.Já os chamados “alimentos detergentes” eliminam resíduos de outros alimentos que ficam aderidos à superfície dental. Nesta categoria encontram-se as frutas, os legumes e as verduras de modo geral, preferencialmente crus ou cozidos no vapor. Estes alimentos necessitam de um maior tempo de mastigação, o que promove uma autolimpeza pelo atrito do alimento com o dente. Além disso, fornecem ao organismo muitos nutrientes essenciais para o seu bom funcionamento, como as vitaminas A, B6, B12, C, D, E, K e ácido fólico.3- Por que uma pessoa que sofre de anorexia tende a apresentar alterações na saúde dos dentes?O jejum prolongado ou vômito, provocado constantemente pelos pacientes com anorexia, causam manifestações bucais como: hipersensibilidade dentária, edema de glândulas salivares, problemas gengivais, aumento de incidência de cárie, erosão dentária e bruxismo. Muitas pessoas que sofrem de anorexia podem esconder o distúrbio alimentar de outras pessoas, mas é difícil mantê-lo em segredo de seus dentistas. As mudanças dentro da boca podem ser detectadas durante um exame dental rotineiro. Portanto, o dentista passa ser um dos profissionais mais indicados a detectar o problema.4- Uma dieta alimentar para perda de peso pode afetar o equilíbrio da flora bacteriana existente na boca e estimular as doenças bucais, como gengivite e periodontite?Uma dieta saudável deve conter ainda vitaminas, sais minerais e fibras presentes no arroz, no feijão, no peixe, no leite e nos ovos, imprescindíveis para o bom andamento de nosso organismo. Cabe lembrar que a má nutrição e deficiências vitamínicas provocam a diminuição no fluxo salivar, gengivite e outras alterações na gengiva e no periodonto.Se a dieta exigir jejum prolongado, isso leva a hipoglicemia e a queima de gordura, que produz gases de odores fortes. O uso de fórmulas para emagrecer, costuma provocar desidratação pelos laxantes contidos na composição e, por este motivo, leva à diminuição do fluxo salivar e formação de saburra lingual, levando ao mau hálito.5- Existe alguma forma de evitar o aparecimento de caries, mau hálito?O primeiro passo é manter uma boa higiene bucal após as refeições, principalmente, antes de dormir e usar o fio dental entre os dentes. Isso ajuda a eliminar as bactérias que são a principal causa do mau hálito e das caries. Além disso, no intuito de manter a boca livre de doenças, devemos procurar ter uma alimentação balanceada, evitando alimentos prejudiciais à nossa saúde e ingerindo alimentos saudáveis.O açúcar é o principal alimento das bactérias causadoras da placa bacteriana, que está associada ao aparecimento da cárie e ao mau hálito. Sendo assim, devemos evitar a ingestão de balas, chocolates e alimentos doces (com muito açúcar) no período entre as refeições. Já alimentos como alho, cebola, alimentos ricos em proteínas como ovos, feijão, carnes, leite, álcool, sucos cítricos e café são causadores de mau hálito.Do outro lado, os vegetais, frutas, fibras entre outros alimentos não provocam cáries nem mau hálito. Estes alimentos são importantes para a manutenção da saúde oral. Importante também é a ingestão de dez copos de água por dia, que auxilia na higiene bucal.PerfilDra. Vivian Farfel (CRO-SP 59.111)Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Odontopediatria pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). Atuação em traumatologia dental infantil junto ao Centro de Pesquisa e Atendimento de Traumatismo em Dentes Decíduos da Disciplina de odontopediatria na USP. É autora de trabalhos científicos publicados em jornais e revistas do segmento, bem como apresentados em congressos nacionais e internacionais.
PROCURA PELA ESTÉTICA BUCAL ESCONDE RISCOS PARA A SAÚDE

CAPIXABÃO
A busca pela perfeição corporal muitas vezes implica em excessos cometidos tanto por quem almeja a beleza-padrão como pelos profissionais responsáveis por tornar a uniformização estética uma realidade. E já que o sorriso é o cartão de visita, não é à toa que uma das primeiras missões propagadas naqueles programas de transformação de beleza é impostar dentes impecáveis ao rosto -mesmo que isso implique, por exemplo, na retirada desnecessária de dentes para colocar implantes socialmente mais belos e até mesmo mascarar imperfeições dentais, sem que para isso a saúde bucal seja relativizada.Dentes brancos, proporcionais uns aos outros e impecavelmente alinhados. Estabelecido o padrão estético bucal, iniciam-se as intervenções para alcançá-lo --e preferencialmente o mais rápido possível.Segundo o dentista José Luiz Lage-Marques, um dos grandes focos da odontologia hoje é "tapar o buraco" da necessidade social de ter dentes bonitos, e não mais simplesmente proporcionar funcionalidade e saúde a eles. E tecnologia disponível para isso não falta. "Mas há quem extrapole a realidade", diz Lage-Marques, que é membro da diretoria da International Association for Dental Research (Associação Internacional de Pesquisas Odontológicas).É incorreto dizer que, quanto mais brancos, mais saudáveis serão os dentes. Dente não tem cor. Quem confere a tonalidade a ele é a dentina, segundo definição, o marfim dos dentes, que circunda a polpa dentária e está recoberto por esmalte, uma espécie de cristal transparente.Porém são poucos os que têm consciência disso, afinal, as mais belas celebridades hoje possuem uma dentição digna de ter sido conseguida não com pastas de dente, mas com sabão em pó, de tão branca. Pensando assim, clareá-los é tentador, mas pode ser uma tarefa desastrosa, que deve ser feita no consultório, e não com técnicas caseiras."Dente de estrela é tão branco que chega a ser opaco, não tem brilho. O normal é ser translúcido", afirma Cury, dizendo que as conseqüências do clareamento repetidas vezes ainda estão sendo estudadas. "O que se sabe cientificamente é que, a curto prazo, pode amolecer o dente." O clareamento somente embranquece os dentes, e não a restauração, que devem ser trocadas.Para a estudante de rádio e TV Fernanda Rolim, 22, a aparência, em sua profissão, é fundamental. Mesmo já tendo por natureza dentes claros, ela, uma perfeccionista confessa, clareou-os mais "por vaidade mesmo". "O povo quer ver gente bonita na TV, que transmita saúde e beleza", afirma Fernanda, cujos cuidados bucais vão além da estética: "Vou ao dentista regularmente, pois a manutenção é essencial".Caso à parte na higienização bucal, os colutórios, conhecidos como enxagüantes ou anti-sépticos bucais, também devem ser consumidos com cautela, principalmente os à base de clorexidina, substância que mata 98% das bactérias da boca --incluindo aí as benéficas. Durante seu uso, segundo Lemos, é comum a pessoa perder o paladar e ainda ter os dentes escurecidos. "É um produto indicado somente em casos de doença periodontal, e ainda por um tempo determinado, mas esses produtos são vendidos livremente."Outro mandamento da estética bucal em vigor, depois de já se ter garantido a cor dos dentes e o hálito puro, é o alinhamento desses dentes. Para isso, a técnica é a faceta laminada.Os dentes visíveis, ou seja, aqueles que aparecem ao sorrir, são desgastados. A faceta é um subterfúgio que se assemelha a uma unha postiça. "É um procedimento que rapidamente corrige angulação, cor e posicionamento", explica Egberto França, especialista em implante e estética dental, também conhecido por ser, no Rio de Janeiro, o dentista dos famosos.Um espaço entre os dentes incisivos, segundo a ditadura da estética, é um defeito que precisa ser corrigido. Em vez do bom e velho aparelho, a faceta laminada também é empregada nesses casos, "fechando o espaço", de acordo com Jaime Aparecido Cury, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O problema "é que desgasta o esmalte dos dentes, pois são usados ácidos que os descalcificam", explica Lage-Marques, dizendo que esse procedimento, no entanto, não altera a funcionalidade dos dentes.Mas, assim como ocorre nas cirurgias plásticas, o fim --o padrão estético pasteurizado- justifica os meios. Pelo menos a quem o procura. "Quando vêem o "antes" e "depois" de revistas de famosos, as pessoas não pensam no processo como um todo. Muito menos se dão conta que a manutenção desses procedimentos deve ser para toda a vida", argumenta Lemos.Apesar de os implantes serem a vedete odontológica de hoje e do futuro, segundo Lemos, há de se ter cautela em sua prescrição. Assim como existem cirurgiões plásticos que topam tudo, há também os dentistas que extraem desnecessariamente os dentes para dar lugar a essas próteses.A primeira etapa do implante é cirúrgica: o dente natural é extraído. Após a cicatrização, é colocada uma espécie de "bucha" dentro do osso. Depois de o parafuso se adaptar ao osso, é "rosqueado" o dente, também chamado de coroa, que pode ser de acrílico ou porcelana. "Se tudo correr bem, a "bucha" vai ficar posicionada para o resto da vida. O que pode acontecer é a coroa se quebrar com o tempo", explica Lage-Marques.E se não correr tudo bem? Dentro da mandíbula passa um nervo, que pode ser lesionado na cirurgia, ocasionando perda da sensibilidade no lábio inferior. Isso pode perdurar por seis meses e até ser irreversível, de acordo com o dentista José Tadeu Tesseroli Siqueira, responsável pelo Ambulatório da Dor Orofacial da Divisão de Odontologia e do Centro Interdisciplinar de Dor do Hospital das Clínicas. "Vai da consciência do profissional indicar essa técnica, mas esses excessos existem porque há uma grande expectativa em relação ao resultado final", diz Lemos.A controversa se dá entre os especialistas quanto ao que deve ser reconhecido como excesso. Para Siqueira, os riscos do implante são aceitáveis, assim como os de qualquer cirurgia. Contudo "não se pode retirar todos os dentes para colocar implantes, o que é muito feito por aí, afinal, implante é uma prótese. Ela funciona, mas não é a mesma coisa, é uma tentativa de reprodução de um sistema natural", afirma Lage-Marques.De estético a funcionalHá alguns anos, cirurgias de correção de mandíbulas demasiadamente para frente --prognatas-- ou para trás --retrognatas-- só eram feitas esteticamente. Hoje, as associações odontológicas conseguiram provar que o procedimento não só melhora a aparência mas também a mastigação da pessoa. "O aumento do número de cirurgias ocorreu por conta de os planos de saúde hoje cobrirem a técnica, que evoluiu e está menos invasiva", diz o bucomaxilofacial Paulo Sérgio dos Santos Pereira, da Universidade de Brasília (UnB).Antigamente, para ambas as correções, eram necessários 45 dias de recuperação com a boca fechada. Hoje, o paciente sai praticamente falando, segundo o bucomaxilofacial. As contra-indicações são as mesmas de qualquer cirurgia por exigir anestesia geral. "Se a pessoa tem problemas psicológicos, não fazemos a cirurgia, pois a mudança estética é muito grande; muitas vezes a pessoa não se reconhece", diz o especialista.Pereira conta que tinha uma paciente cujo problema maior não era ser prognata, que pode até ser o charme de uma pessoa, mas ter a irmã mais bonita que ela. "Não opero esse tipo de paciente, peço para ir procurar um psicólogo porque provavelmente ela não ficaria satisfeita com o resultado", diz, completando que a cirurgia é apenas facial --"e não cerebral". "Depositar muita expectativa na cirurgia é comum. Existem pessoas tímidas que acham que sendo operadas terão uma outra personalidade."Isso é possível? Sim, dizem os especialistas, apesar de não existir certeza de sucesso, afinal, se fosse ruim, ninguém se submeteria a cirurgias à lá "extreme makeover", um reality show norte-americano em que o participante passa por uma série de cirurgias plásticas para ficar "mais bonito". "Muitas vezes, após um tratamento, vejo um paciente ter sua auto-estima de volta. Isso é ótimo", finaliza França.De qualquer maneira, é bom ser cauteloso, pois mesmo os padrões de beleza mudam. Ter os dentes alinhados, por exemplo, poderá estar fora de moda daqui a alguns anos. "Como os dentes estão em evolução, a tendência são os laterais diminuírem", prevê o bucomaxilofacial Pereira.
ESPECIALISTA DIZ QUE DORES NA COLUNA CERVICAL PODEM TER ORIGEM NA BOCA

PORTAL DENTAL PRESS
Você não tem tempo para comer direito e vive beliscando qualquer coisa. Esse hábito cada vez mais comum, aliado a problemas bucais, pode resultar em dores na coluna cervical. Tudo começa com a consistência da comida que ingerimos atualmente. Elas são mais fáceis de mastigar e isso faz com que a musculatura da face deixe de exercer a função para a qual ela foi criada."Mastigar bem produz um relaxamento da musculatura", diz o cirurgião dentista Lauro Delgado, especialista em estética e reabilitação oral da clínica Odonto Integrada Delgado, de São Paulo. Ele explica que a falta de mastigar alimentos mais duros, aliada a problemas bucais como contato prematuro (ao fechar a boca um dente tem contato antes que os demais), uma obturação mal feita ou o apinhamento (dentes encavalados) resultam em problemas de mordida que quase sempre geram uma disfunção na articulação terporomandibular, mais conhecida como ATM.E, numa sucessão de mordidas erradas, desgastes e compensações, o corpo se encarrega de adequar, nesse caso negativamente, articulações, músculos e ossos, que resulta em dores na coluna cervical. "Estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos mostram a forte relação entre a postura corporal com atividades vitais como respiração e, principalmente, alimentação", explica Francisco Rogério Aguiar de Menezes, cirurgião dentista, bucomaxilofacial e chefe das equipes de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial dos hospitais São Camilo e Samaritano, na capital paulista.Ele lembra que a coluna vertebral também envolve uma série de nervos, tendões, músculos e ligamentos que doem quando há algo errado e que não é comum as pessoas relacionarem problemas bucais com alterações no organismo. "No geral, quando sentem dores nas costas, as pessoas procuram um especialista em coluna, um ortopedista, mas na consulta descobre-se que a origem do problema está na boca", diz o doutor Lauro."Quando a mordida não é perfeita, a mandíbula se desvia lateralmente para fazer o ajuste e compensar o desequilíbrio", acrescenta. Como resultado, temos uma mordida desalinhada e a mandíbula sobrecarregada de um só lado. Dessa forma, os músculos do pescoço, e a seguir da coluna cervical, acompanham esse novo posicionamento na tentativa de compensar o desvio causado na boca. "Assim, temos um problema desencadeado e, a seguir, refletido na coluna cervical", diz ele.
58% DOS BRASILEIROS NÃO TÊM ACESSO ADEQUADO A ESCOVAS DE DENTE

PORTAL DENTAL PRESS
Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2008, 58% da população brasileira não tinha acesso adequado a escovas de dente. O número inclui pessoas que consumiram o produto de forma esporádica ou inadequada – quando o uso da mesma escova é feito por um período muito prolongado – e também brasileiros sem acesso algum.De acordo com o coordenador nacional do programa Brasil Sorridente, Gilberto Pucca, a não-utilização de escovas de dente no país é mais comum do que se imagina. Pucca alertou que praticamente todas as capitais brasileiras apresentam índices de acesso zero ao produto.“A gente tem que acabar com essa idéia de que as pessoas não tem acesso aos bens mínimos só nas regiões distantes. O problema está na nossa esquina, nas periferias”, afirmou.Pucca destacou que o quesito dificuldade financeira lidera o ranking de razões pelas quais mais da metade dos brasileiros não utiliza a escova de dentes de maneira adequada, seguido por desconhecimento.Em 2003, o índice de acesso zero chegava a quase 65% mas o crescente número de pessoas que passaram a integrar o mercado de trabalho, segundo ele, levou à queda dos números.Atualmente, o Ministério da Saúde possui 18 mil equipes de saúde bucal dentro do programa Saúde da Família, além de mais de 650 centros especialiazdos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A meta do governo é, até o final de 2009, incorporar kits compostos por escova e pasta de dente em 100% das equipes de saúde bucal – 1 mil kits por equipe.Há ainda a estratégia de distribuição de kits para alunos do ensino fundamental e médio que pertencem a escolas públicas localizadas em áreas de baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – um total de quase 1.200 municípios brasileiros. A expectativa de Pucca é que, em um prazo máximo de dez anos, o país apresente um quadro de saúde bucal “bastante diferenciado” do atual.